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Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Costumava encontrá-la quando ia buscar a minha filha ao infantário. Falava pelos cotovelos, com imensos detalhes aborrecidos, enquanto dizia, não me posso demorar muito. Mas continuava a falar. Principalmente sobre o marido. O meu Zé Carlos, dizia. Demorava-se na posse do meu, com o esforço de quem procura uma certeza. O meu Zé Carlos isto e aquilo. Era a melhor pessoa do mundo. O marido mais apaixonado. O pai mais dedicado. Mas o Zé Carlos raramente aparecia. Devo tê-lo visto de raspão, uma ou duas vezes. Cheguei a duvidar que existisse. E penso que ela também. Pelo menos um Zé Carlos que fosse realmente dela.
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