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Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Embrulhávamos os enfeites que tinham vindo de lá em guardanapos de papel. Porque eram vidro, daquele vidro frágil de que são feitas as recordações. Quando, em Dezembro, os desembrulhávamos, às vezes encontrávamos apenas estilhaços. O meu pai encolhia os ombros resignado, e dizia, mais um. E os anos, contavam-se pelo número de cacos de vidro. Quando se partiu o último, que era azul, de um azul intenso, teriam passado quinze anos do retorno e o meu pai disse: Foi-se. As memórias, às vezes, também se vão assim.
(Dezembro, 2013)
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