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Em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

Em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

Vidas

Cristina Nobre Soares, 15.08.19

Uma manhã, ao passarmos pela casa da Verónica para irmos para as aulas (fazíamos isto todas as manhãs, menos à sexta, dia em que o padrinho a levava de carro), a mãe dela apareceu à porta com o olho e o lado direito da cara todo roxo e a Verónica parecia que ia para uma festa, um vestido preto, muito justo ao corpo, todo cheio de pérolas pequeninas e a boca pintada de vermelho. Não dissemos nada. Ela também não. Nem mais à frente, quando passámos a praceta onde os rapazes das motas se juntavam, nem quando passámos a farmácia, nem quando passámos o café, nem quando atravessámos a estrada. Só ao portão da escola é que ela disse, ontem a minha mãe caiu e aleijou a cara. Mais nada. E nós, pois, coitada. Mais nada. Ao fim do dia comentei com a minha mãe que a mãe da Verónica tinha caído e aleijado a cara. Tem um olho todo negro, disse eu. E a minha mãe, depois de um minuto ou dois de silêncio, abanou a cabeça e disse, vidas.

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