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Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Uma das muitas coisas que faço com a escrita, para ganhar a vida, é “dar jeitinhos” nos textos de outras pessoas. Uns vêm apenas com uma ideia e faço o que me apetece deles, outros já vêm escritos, mas pedem-me para lhes dar um jeitinho, para ficarem mais fáceis de ler, mais bonitos. No fundo faço arranjos de costura, mas com palavras. Subo umas bainhas, transformo umas calças numas bermudas, alindo-os com uma grega ou fita de gorgorão, dou-lhes um aperto nas costuras para não ficarem tão largueirões ao corpo de quem os escreveu, às vezes até o corte lhes tenho de corrigir. Também dou conselhos de moda: digo o que lhes fica melhor, o que devem e não devem vestir, consoante a ocasião, as cores a evitar, os melhores tecidos e padrões, quais os modelos intemporais que dão sempre muita classe a quem os veste. Tenho tanto de costureira como de modista. E faço peças só minhas, modelitos exclusivos, que me servem só a mim e que venho aqui passear. Ah, que bem que te fica, dizem-me às vezes. E eu fico toda contente. Todos temos as nossas vaidades.
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