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Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Uma carrinha, daquelas pão de forma, parou à saída do parque de estacionamento para nos deixar passar. Reparei que tinha cortinas vermelhas nas janelas de trás. Houve uma altura na minha vida em que quis ter uma carrinha destas para poder correr o mundo. Tinha de ser numa destas, pois um carro ou uma auto-caravana parecia-me muito burguês. Tenho ideia que todos nós já quisemos o mesmo: afinal, correr mundo sem destino e o riso são das poucas coisas que nos dão a ilusão de contrariar a inevitável rotação da mortalidade. Fiquei a ver a carrinha afastar-se, o vermelho das cortinas agitou-se por uma janela aberta e lá ao fundo anunciava-se chuva. Se pensarmos bem, anuncia-se sempre, mesmo num entretanto de céu limpo, que é mais ou menos o tempo que deve demorar a correr o mundo numa carrinha de cortinas vermelhas. Não sei. Não conheço ninguém que tenha regressado de uma viagem dessas.
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