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Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Estão as duas sentadas no átrio, encostadas ao vidro. Uma tem rastas e uns collants às bolas. A outra come de um tupperware e tem umas botas iguais a umas que eu tive há vinte cinco anos. Há uma mulher que chega com um saco do pingo doce, daqueles que custam cinquenta cêntimos e pousa-o ao pé delas. Começa a falar, reclama de uma aula que nunca deve ter acontecido. Tira um caderno de dentro do saco e lê em voz alta uns supostos apontamentos, isto não pode ser, vai dizendo em tom de refrão. As raparigas olham em frente, sem expressão, isto não pode ser, estão a ver? A rapariga das rastas contém o riso, a outra olha para as botas, isto não pode ser. Depois ficam as três em silêncio. A mulher guarda o caderno no saco, olha para o tupperware da rapariga das botas, isso fica melhor com tomate. Faz uma cara de nojo. E depois eu é que sou maluca.
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