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Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
O gesto de amor mais bonito que vi foi entre um homem feio e uma mulher feia. Costumava vê-los à porta da escola. Eram os dois feios. Mas não feios de nascença. Tinham aquela fealdade que só a pobreza e as privações trazem. Aquela fealdade suja e crespa, feita de cansaço, de faltas, de desistência, de roupas gastas. Vinham sempre de mãos dadas. Um dia, ele afastou-lhe o cabelo do rosto e ela, muito doce, sorriu e encostou o rosto no ombro dele. Por alguma razão naquele gesto sobraram-me todas as histórias de amor perfeitas e eu senti-me mesquinha por os ter achado tão feios. Naquele momento pareceram-me as pessoas mais bonitas do mundo. Conto sempre esta história quando me pedem uma história bonita. Mas a beleza é relativa, dizem-me. Pois é, respondo. É relativa por depender tanto da nossa capacidade de nos comovermos com as trivialidades da vida.
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