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Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Diz que começa hoje mais uma feira do livro. Queres lá ir este ano outra vez? Pergunta-me. Digo, claro que sim. Ele ri-se, tens uma coisa qualquer com a feira do livro. Talvez. Lá, compraram-me alguns volumes da minha querida coleção azul, num tempo em que me tinha de pôr em bicos dos pés para ver os livros em exposição. Lá, comprei o meu primeiro Gabriel Garcia Marquez, o meu primeiro livro de poesia de Sophia, num tempo em nos acontecem as primeiras vezes de tudo. Lá, comprei duas edições Avante, uma delas era uma colectânea de poesia de Ary dos Santos. Cheguei a casa, num tempo de todas as certezas e mostrei-a ao meu pai. Ele suspirou de sobrolho franzido e disse, sim o Ary tinha poesia muito boa, pena ser comuna. Lá, comprei uma edição de história de arte da Gulbenkian com o dinheiro que a minha mãe me tinha dado para comprar uns manuais de análise matemática e química da mesma editora, a ver se assim tiras um dez. Lá, fingi ter os mesmos gostos que os meus improváveis namorados, mas também fui sozinha sem comprar nada, só para ver as pessoas e lá ao fundo, o Marquês. Lá, comprei o primeiro livro para a minha filha, que ainda hoje não gosta de ler. É a vida. E lá irei este Junho, a pensar que num Junho futuro, quem sabe, talvez tenha um livro meu numa das bancas. Sim, tenho um caso sério com a feira do livro.
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