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Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Nunca conseguirei perceber a urgência que assalta as pessoas nesta época. Urgência de comprar, de serem boas pessoas, de terem gestos grandiosos, de se lembrarem de quem se esquecem todos os dias. Lava os copos que eram da tua mãe, alinha o guardanapo com os talheres, isso, direitinho, olha que as lojas fecham à uma, não, é verdade, fecham mais tarde porque é Natal, traz-me meio quilo de nozes, mas vê se não estão bichadas e não te esqueças do bolo-rei que ninguém come. Urgência de repetir, de reviver, de desembrulhar, de cozinhar, de pôr na mesa, de dizer as mesmas coisas. Ou talvez os outros não sejam urgentes. Talvez seja eu que pense demais.
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