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Tabaco de cachimbo

por Cristina Nobre Soares, em 22.06.18

Quando morreste pedi o teu cachimbo à mãe. Penso que eu teria mais ou menos a idade da tua neta quando começaste a fumar cachimbo, com uma teoria qualquer de que fazia menos mal que os cigarros. E eu, durante algum tempo, ofereci-te tabaco pelos teus anos. Lembro-me de um que me custou quase oitocentos escudos, comprei-o na tabacaria do centro comercial, a mãe ralhou muito comigo, que eu tinha era de juntar para as férias, mas vinha numa lata muito requintada e cheirava maravilhosamente. Cânfora, como nos perfumes dos homens. Misturavas este tabaco com outro mais corriqueiro, só para dar aroma, dizias tu. E a sala ficava a cheirar a ti. 
Uma vez, disseram-me que as pessoas só nos morrem quando lhes esquecemos a voz e o cheiro. 
Hoje, farias 90 anos.

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