Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

Em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

Superstições

Cristina Nobre Soares, 14.10.19

A avó da Patrícia tinha muitas superstições e presságios. Afligia-se quando entornava sal, benzia o pão antes de o cortar (e beijava-o antes de o deitar fora, dizendo Nosso Senhor me perdoe), dizia cruzes canhoto quando via um gato preto e lagarto, lagarto, batendo na mesa, quando alguém falava de alguma coisa má que podia acontecer. Não gostava de pássaros grandes, dizia que traziam má sorte, nem partir copos e coisas de vidro, está aí para vir alguma coisa má. E tinha rezas para evitar todo o tipo de azares. Sentava-se no banco da cozinha, de cabeça baixa, com uma mão a segurar a testa e mexia a boca em surdina. Lembro-me da reza à Santa Bárbara, afastai a trovoada lá para bem longe, onde não haja eira nem beira, que dizia mesmo quando não trovejava, bastava que, dizia ela, o dia tivesse acordado carregado dentro do peito. Não sei se ainda será viva. Se for, terá os seus noventa e picos. Perto da idade que o meu pai teria se fosse vivo. Que não gostava de mesas com 13 pessoas.

1 comentário

Comentar post