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Saudade eterna

por Cristina Nobre Soares, em 27.08.18

Do Carlos Paião guardo poucas memórias. Tirando o ter chegado a cantarolar a “Cinderela”, que às vezes passava na rádio, ou a irritação do meu pai quando o “Playback” ganhou o Festival da Canção. E o mito urbano de que ele tinha sido enterrado ainda vivo. O pano para mangas que isso deu no liceu. 
Ontem, passados 30 anos da sua morte, foram vários murais que, merecidamente, o lembraram. Mas somos um país tramado. Só sabemos lembrar mortos. Afinal um morto é o supremo coitadinho, é realmente difícil igualar a desgraça de estar morto. Para além de que os mortos têm a virtude de não já poderem ser vaidosos. Esse pecado que tanto amofina este povinho. Morto já se pode elogiar, falar das qualidades, era um gajo formidável, uma pessoa extraordinária, um talento! Dar valor em vida é que não, que isto, já sabe, a vida é para sofrer. A morte sim, é que dá saudade, essa palavra tão portuguesa. Ainda por cima para os mortos é eterna, daquela que murcha com as flores.

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