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Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Percorria-a na altura do Natal, pela mão da minha mãe. Corre. Corre, senão ainda perdemos o eléctrico, e as minhas pernas de oito anos a ficarem ainda mais pequenas, corre, que se apanharmos este, ainda chegamos antes do teu pai. As luzes de Natal por cima da minha cabeça a arrastarem-se na seis da tarde, que já era noite, eu a apertar o nariz por causa do cheiro a atum de barrica e a bacalhau, os passos rápidos da minha mãe, anda, vá, corre. O barulho dos saltos dela na calçada, corre, anda, os sacos amarfanhados na mão com os presentes, eu a desviar-me das pernas de um cego, vá corre, não olhes, que não há nada para ver. Nós a subirmos para o eléctrico, o guarda-freio a sorrir-me e eu, ainda com o coração a bater depressa, a desenhar um sino de Natal na humidade do vidro.
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