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Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Nunca levas nada a sério. Não se pode falar a sério contigo.
São frases que já ouvi milhares de vezes na minha vida, sempre com uma pontinha daquela censura ai-que-não-há-maneira-de-ganhares-juízo. E eu respondo sempre que é por levar a vida tão a sério que me rio tanto. O riso para mim é a coisa mais séria da minha vida, até porque desconfio que já me salvou da loucura. Do desespero.
O riso é a forma mais humana de dizermos que estamos vivos, que ainda aqui estamos, a olhar de frente para tudo o que nos assusta, paralisa, inquieta, para tudo aquilo para o qual nunca teremos resposta. Rir é um acto de resistência, de subversão perante a dor. Como no filme “La vita è bella”, no qual um pai, para proteger o filho, transforma a desgraça da ida para um campo de concentração num jogo, cujo o prémio final é um “carro armatto” e onde o riso é a única coisa que faz sentido no meio de tanta crueldade.
Por isso, caras pessoas sisudas, rir de coisas sérias não é falta de respeito nem de consciência. É apenas olhar para o fundo da rua e respirar de alívio pela certeza que a qualquer momento, ali na minúscula curva que é a nossa existência, “arriva il carro armatto”.
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