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Quando for grande quero ter muita cultura

por Cristina Nobre Soares, em 04.04.18

Há uns anos (poucos) tive um projecto doido. Um projecto onde punha adolescentes durante uma semana a experimentarem coisas diferentes. Sim, também comida. Mas a ideia do projecto era que durante 6 dias pudessem experimentar coisas como arte urbana, teatro, jazz, fotografia, cerâmica, ilustração, animação, filosofia (falada de outra forma), cenografia, escrita, literatura, entre muitos outros. Com isto pretendia-se ajudá-los a escolherem o seu caminho profissional, pondo-os em contacto com pessoas que tinham seguido um percurso diferente, pondo-os fora da zona de conforto. Mas, este projecto também os punha em contacto com actividades, muitas vezes fora do alcance da maioria dos adolescentes. Até porque, já se sabe, o melhor do mundo são as crianças e os adolescentes, uma seca insuportável. Até aos 12 anos há um mundo inteiro de actividades que põe bebés e criancinhas a ouvirem Schönberg e a dançarem “A Sagração da Primavera“, mas depois dos 12, salvo as excepções de quem toca um instrumento, pratica um desporto ou faz dança, não há mais nada, porque agora, meus meninos, já estão crescidinhos e a vida é para começar a levar a sério. Chamaram-me maluca (não sou muito certa, é verdade) por me meter com adolescentes, essas criaturas terríveis, insolentes, mandrionas, sem vontade para nada a não ser para contestar. Curioso, grande parte daquilo que sou, dos meus interesses, das minhas paixões, dos meus sonhos, foram forjados durante a adolescência. Se eu hoje consumo cultura, devo-o, em grande parte, à abertura de horizontes que tive nessa idade, através do contacto com pessoas diferentes. Pessoas que me mostraram que precisamos de imaginar o mundo em várias formas para não corrermos o risco de pensarmos que ele é plano. Num país com um consumo de cultura, em todas as suas vertentes, é tão pobre, onde um dos recursos mais escassos é um público desperto e disponível para a consumir, talvez não fosse má ideia pensarmos mais nisto. A cultura é um bem demasiado precioso para não crescer connosco. E é muito mais do que uma actividade extra-curricular que fica bem nas festas da escola. O melhor do mundo até podem ser as crianças, mas elas crescem (e depressa) e a cultura convém que as acompanhe nesse crescimento. Caso contrário, é como o outro senhor dizia: “Fica-nos curta nas mangas”.

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4 comentários

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De Maribel Maia a 04.04.2018 às 19:04

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De David Marinho a 05.04.2018 às 13:58

O problema é que é preciso educar para levar os jovens a cultivarem-se. A escola cada vez está pior e existem demasiadas distracções para o que é realmente importante.
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De Violinista a 07.04.2018 às 12:48

É isto. Sinto isto.
Posso fazer das tuas palavras as minhas? Porque sinto que é isto. Eu só comecei a apreciar ainda mais a música na adolescência, eu só comecei a tocar violino aos 16 anos e hoje é o que quero fazer e faço. Mas fazem falta certas coisas. Toda a gente acha piada a uma criança de seis anos pegar num violino, aos dezasseis não tem piada nenhuma para ninguém...
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De claudia Dias a 15.04.2018 às 21:02

Os dirigentes do país têm falta de visão.

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