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Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
É estranho que até o incêndio de um símbolo que é Notre-Dame dê logo lenha (passe o trocadilho) para tanta indignação. Ele é ver quem é religioso ou não, quem realmente gostava mais da catedral, quem chora por isto e não chora por coisas mais graves, quem dá dinheiro para isto e não dá para coisas mais graves.
Ardeu um símbolo. Mesmo quem nunca lá esteve conhece, viu fotografias no livro de história, imagens na televisão, ouviu a história do corcunda e perguntou o que era uma gárgula, recebeu um postal de férias, conheceu alguém que lá passou por ter estado em Paris em passeio, emigrado ou exilado. E quem lá esteve lida com a estranheza de ver desaparecer um sítio por onde passou, onde acendeu uma vela, apesar de não ser crente, só para dizer, eu estive aqui, e um dia mais tarde, ao lembrar-se desse momento, enquanto a Notre-Dame ardia, percebeu que a memória sabe lidar com a passagem do tempo, mas não com o desaparecimento do espaço.
Não choramos da mesma forma por tudo. Choramos por aquilo que por alguma razão nos é mais próximo e não somos menores ou mais hipócritas por isso.
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