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Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Entrei na igreja velha. Foi a primeira vez que o fiz, apesar de passar por ela todos os dias, a caminho do café. Só a abrem de vez em quando desde que construíram a igreja nova, um edifício de linhas modernas muito feias, ao cimo da vila. Sou uma reaccionária no que diz respeito a igrejas, nunca achei piada a igrejas modernas. Parecem-me tribunais ou repartições com um sino. Gosto de igrejas velhas, cheias de talha dourada e azulejos a ilustrarem o sacrifício de mártires. Mas, geralmente, fico só para ver as pessoas. Mulheres, a maior parte das quais, velhas. Algumas sentadas, outras ajoelhadas. Mas todas com ar de esperarem alguma coisa. A fé é uma forma de espera, talvez. Esta, por estar vazia (só a voz de uma catequista, que não percebi de onde vinha) não me ofereceu interesse nenhum. Continuei o meu caminho até ao café, a pensar na confusão eterna que as pessoas fazem com os plátanos, bordos e liquidâmbares. É normal. No tempo em que as árvores me pareciam todas iguais, também chamava plátanos a tudo, inclusive à que surge na bandeira do Canadá, que não é uma folha de plátano, mas sim de bordo.
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