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Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Sempre adorei ler. Era mesmo uma croma dos livros (ainda sou, mas na adolescência nota-se mais). Mas achei uma seca monumental quase todos os livros que dei nas aulas. Lia-os sempre depois e gostava. Incluindo os Maias, cujo 17 me foi dado pelos benditos cadernos Europa-América.
Digo quase todos, porque adorei os Lusíadas. Mas a minha professora de português do 9º ano era uma personagem. Falava daquilo com uma paixão tal, que Camões quase se tornou num herói para 28 adolescentes enfiados numa sala de aula de um pavilhão pré-fabricado. Era contratada. Nunca mais a vi. Disse-me uma vez, ao ver o meu ar desiludido com o 15 que dera a um texto meu, que se eu queria escrever tinha de perder o medo das palavras, que tinha de deixar de pegar nelas com as pontas dos dedos e agarrá-las à bruta. Pelos cornos, Cristina, pelos cornos.
Pena que não se perceba que a melhor pedagogia será sempre essa, da literatura à matemática: a paixão que agarra tudo pelos cornos.
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