Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

Em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

Pedantismo

Cristina Nobre Soares, 16.02.18

O regresso da visita de estudo foi uma viagem longa de autocarro. Um dos rapazes mais giros levara uma viola e começou a tocar umas músicas dos Smiths. Fiz questão de mostrar que as sabia de cor. Toda a gente sabe que os grupos que ouvimos revelam sempre muito sobre a nossa "coolness" e quem gosta de Smiths tem entrada directa no reino dos céus. Uns lugares à frente ia uma rapariga, muito calada, com um ar realmente aborrecido. Reparei na camisola verde bandeira, apertada no corpo gorducho, que levava vestida, e pensei, do alto do meu pedantismo, que a rapariga era uma parola. A dada altura o rapaz giro ficou sem músicas no reportório, recostou-se no lugar e adormeceu. Aproveitando o silêncio, o condutor do autocarro pôs uma cassete com música de feira. A rapariga sentou-se muito direita de um só salto e começou a cantá-las, muito alegre, enquanto batia palmas. Invejei-a. Tinha uma alegria solta, daquela que não precisa da aprovação de ninguém para se manifestar. Ela, ali, a bater palmas dentro da sua camisola verde bandeira, tinha uma liberdade que o meu pedantismo não me permitia. O meu pedantismo apertava-me mais do que a camisola verde dela e não era coisa que eu despisse às boas ao chegar a casa. A parola, afinal, era eu.

1 comentário

Comentar post