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Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
O regresso da visita de estudo foi uma viagem longa de autocarro. Um dos rapazes mais giros levara uma viola e começou a tocar umas músicas dos Smiths. Fiz questão de mostrar que as sabia de cor. Toda a gente sabe que os grupos que ouvimos revelam sempre muito sobre a nossa "coolness" e quem gosta de Smiths tem entrada directa no reino dos céus. Uns lugares à frente ia uma rapariga, muito calada, com um ar realmente aborrecido. Reparei na camisola verde bandeira, apertada no corpo gorducho, que levava vestida, e pensei, do alto do meu pedantismo, que a rapariga era uma parola. A dada altura o rapaz giro ficou sem músicas no reportório, recostou-se no lugar e adormeceu. Aproveitando o silêncio, o condutor do autocarro pôs uma cassete com música de feira. A rapariga sentou-se muito direita de um só salto e começou a cantá-las, muito alegre, enquanto batia palmas. Invejei-a. Tinha uma alegria solta, daquela que não precisa da aprovação de ninguém para se manifestar. Ela, ali, a bater palmas dentro da sua camisola verde bandeira, tinha uma liberdade que o meu pedantismo não me permitia. O meu pedantismo apertava-me mais do que a camisola verde dela e não era coisa que eu despisse às boas ao chegar a casa. A parola, afinal, era eu.
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