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Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
O meu pai ensinou-me a alisar o papel de prata (que se calhar era de estanho) dos ovos de chocolate. Tens de fazer com o canto da unha do polegar, e não podes fazer muita força para não rasgar. As folhas dele ficavam impecáveis, como se nunca tivessem sido usadas. Depois, guardava-as no móvel da casa de jantar, na gaveta dos naperons e dos guardanapos. Dizia ele que podiam servir de marcadores de livros, mas a verdade é que acabavam por ficar esquecidas na gaveta. Também me ensinou a fazer desenhos de canela no arroz-doce. Punha um bocadinho de canela entre o polegar e o indicador e rolava-os com precisão. Isto tem de ser com paciência, dizia, como se o xadrez de canela fosse um exercício de física quântica.
As memórias de coisas inúteis servem para nos dar algum sentido.
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