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Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Há um cliché que diz que não devemos voltar ao sítio onde fomos felizes. Os clichés irritam-me. Dão-me nervos. Principalmente quando nos entram pelos olhos adentro. Mas se calhar é isso mesmo, não devemos voltar a esses tais sítios. Para mantermos intocáveis os idílios que construímos, em toda uma ficção original. Perfeitinha, escorreita. Mas só nossa. Os sítios ganham bolor nas paredes, ervas na calçada, ferrugem nos gradeamentos. E silêncio. Daquele silêncio feito de pó fininho que se entranha nas frinchas dos móveis. E as memórias não conseguem ganhar corpo nesses sítios. Tornam-se ossadas tristes, corpos raquíticos que nunca apanham sol. É isso, os clichés dão-me nervos. A vida, também. Que é o maior cliché de todos.
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