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Em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

Em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

Opressão

Cristina Nobre Soares, 05.02.19

Em sociologia rural falávamos sobre os crimes de água ou de terra. Alguém, insuspeito, sem nada a assinalar no comportamento até então, um dia enfiava uma enxada pela cabeça abaixo de outro, por causa de uma linha de água ou de uma extrema. Depois, entregava-se à guarda. Na terra nunca seria considerado um assassino, mas sim alguém que se “desgraçara”. Como se houvesse uma normalização da morte e da violência, desculpada por um qualquer sentimento de posse (onde a posse se confunde facilmente com honra). Só defendeu o que era dele, diriam na terra. Até porque uma terra sem dono não é nada, não vale nada, não existe. É essa posse que lhe dá sentido. Um homem é dono da sua terra e da sua água, mas também da sua mulher. A mulher é apenas mais uma posse, um nome num papel do notário ou da igreja. Nada mais. Uma mulher sem dono, tal como um pedaço de terra, uma casa, um animal, não é nada. Pode morrer às mãos do seu dono, o qual todos mais tarde comentarão que era boa pessoa, que se toldou num mau momento, que deu cabo da vida dele. Sobre ela dirão que foi o destino. Que é o outro nome que se dá à opressão.