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Em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

Em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

O velho do terreno da frente

Cristina Nobre Soares, 27.08.17

Havia um velho que vinha amanhar o terreno da frente por detrás das oliveiras. Nele fez uma horta com uma cerca de couves galegas. No meio da horta pôs uma cadeira, onde se sentava depois de tratar do que tinha de tratar e ficava ali o resto da tarde. Deixou de vir. A horta sumiu-se como se some tudo o que não é tratado. Ficou a cadeira, vazia, absurdamente sozinha no meio do terreno, a lembrar a ausência, até ao dia em que a levaram. Que foi o dia em que nos começámos a esquecer que tinha havido um velho que amanhava uma horta no terreno da frente, por detrás das oliveiras. Sem provas, nem que seja uma cadeira vazia, tudo acaba por ser apenas uma memória de que ninguém tem bem a certeza que tenha acontecido. Às vezes até parece que não aconteceu, mas é só porque passou muito tempo.Outras não aconteceu mesmo e temos de inventar, construir essa memória, para não ficarmos vazios. E é por isso que há gente que escreve.

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