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Em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

Em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

O Pai Natal

Cristina Nobre Soares, 12.12.16

 

Vejo por aí uma série de artigos sobre se devemos contar, ou não, a história do Pai Natal às crianças. Muitos defendem que não, que isso é estar a mentir deliberadamente, que as crianças vão ficar irremediavelmente traumatizadas e com a confiança no mundo profundamente abalada. E eu penso que a fantasia é uma coisa que deve ter caído em desuso, de tal forma que as pessoas a confundem com mentiras. Essa mesma fantasia que em criança nos fazia imaginar que voávamos só porque tínhamos uma capa ao pescoço ou que conseguimos esvaziar o mar inteiro com o balde da praia. E depois havia aqueles adultos que nos perguntavam o que estávamos a fazer. Nós dizíamos e (espantoso!) eles riam-se e alinhavam na brincadeira. Não eram adultos a negar-nos a verdade do mundo. Eram adultos que entravam connosco num mundo de fantasia. Adultos corajosos, portanto. Boa, acho que o mar já está um bocadinho mais vazio, diziam. Até que um dia descobríamos a verdade. Era chato. Pronto, às vezes era um drama, principalmente se passávamos horas a acartar baldes de água. Mas fez parte, como fez parte a encenação que a minha família criava à volta do Pai Natal. Que, para grande irritação minha, chegava sempre durante uma conveniente ida minha ao cinema. Mas era um momento mágico. Quando descobri que ele não existia fiquei zangada. Chorei baba e ranho.Tal como a minha filha chorou. Ontem estivemos as duas a lembrarmo-nos disso. E descobrimos que somos umas sortudas: temos histórias para contar. Uns dizem que são mentira. Nós ainda achamos que há ali qualquer coisa de magia.

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