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Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Em cima do muro ficaram alguns vasos que se tornaram pequenos demais para as aromáticas. Ficaram ali esquecidos por não lhe encontrarmos nenhuma serventia. E continuaram esquecidos porque entretanto nos apercebemos que há um gaio que nos vem beber aos vasos, que se encheram com as chuvas dos últimos dias. Dizemos que é "o gaio", mas pode ser mais do que um. Mas prefiro pensar que é apenas um e que me vem visitar. Assim parece um encontro, que dura o tempo de ele me pressentir por detrás da janela. E toda a gente sabe que os encontros dão boas histórias. Um dia poderei contar a história do gaio que vinha beber dos vasos esquecidos no muro. E contar o quanto eu ficava quieta, só para o ver mais um bocadinho, falar das penas azuis e o quanto era bonito o raio do pássaro. Há quem tenha histórias de viagens épicas, encontros com heróis e génios, aventuras intrépidas. Eu não. Porque o bonito dos meus dias é mais poucochinho, nem esticado deixa de ser insignificante. Cada um tem as histórias que merece. Ainda bem.
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