Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]
Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Quem diria que com o sol que amanheceu o dia se ia pôr assim? É verdade, comento, e troco algumas palavras com a mulher que me atende ao balcão do café, sobre a súbita neblina que se formou durante a manhã e o quanto custa conduzir com nevoeiro. Ai, é uma aflição, diz-me ela, e conta-me um regresso de Lisboa debaixo de névoa cerrada e em lágrimas. Reparo que ela tem o rosto manchado com “pano”. Talvez tenha sido de alguma gravidez. Também tive algumas manchas dessas quando estava grávida, isso é por ser uma menina, disse-me uma vez uma senhora que me fazia arranjos de costura, isso é por ser uma rapariga, que as raparigas roubam a beleza das mães. Prepare-se, que elas levam-nos tudo, avisou-me. Cedo as mulheres se tornam espécies em perpétua competição e cárceres umas das outras. A mulher do balcão fala agora com um homem que tem a boca retorcida e dificuldade no falar, continua a lamentar o nevoeiro, apesar deste já ter levantado. E eu penso que está um dia bom para caminhar sozinha.
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.