Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Não há-de ser nada

por Cristina Nobre Soares, em 14.04.18

Não há-de ser nada, disse-me o meu pai pelo telefone, quando aterrámos no Funchal. Eu tinha 16 anos, ia de férias e rebentara a Guerra no Golfo. Não há-de ser nada, disse-me a Rita, quando, naquela tarde em que não fui trabalhar por estar com uma grande gripe, lhe liguei depois de ter visto em directo pela televisão o segundo avião rebentar-se contra a Torre Sul do World Trade Center. Não há-de ser nada, disse-me ele quando invadiram o Iraque dois anos depois, e disse-me o mesmo quando se deu a Primavera Árabe, se calhar é desta que isto muda, e voltou-me a dizer, não há-de ser nada, quando rebentou a Guerra na Síria, e depois também não foi nada com a crise dos refugiados, nem foi nada quando me acordou às 6 da manhã a dizer que o Trump tinha sido eleito, nem nunca foi nada sempre que o Putin vinha à baila. Não há-de ser nada, disse eu hoje de manhã à minha filha, quando ela me perguntou pelos misseis sobre a Síria. Não há-de ser nada. E continuei a beber café com o mesmo medo que me assaltou naquele dia em que aterrámos no Funchal e eu tinha 16 anos.

Autoria e outros dados (tags, etc)



Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D

GA



google-site-verification: googledeb34756365df053.html