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Em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

Em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

Não é por uma pessoa estar sozinha numa varanda que se torna numa pessoa só

Cristina Nobre Soares, 17.11.19

Ontem, fomos ver o acender das luzes de Natal. Estava uma imensidão de gente à volta da praça principal. Muita gente a fazer ao mesmo tempo o que toda a gente faz. Por cima de nós, numa varanda de um primeiro andar, estava uma mulher, de meia-idade (que é o que dizemos quando não sabemos dizer se pessoa é nova ou velha), sozinha, embrulhada num xaile de lã grená. A minha filha invejou-a, disse que ela é que via bem o concerto e o acender da árvore e sem sair na casa dela, já viste? Olhei-a e achei-a sozinha. Sim, claro, não é por uma pessoa estar sozinha numa varanda que se torna numa pessoa só. Mas a maneira como ela não se encosta ao parapeito, como as luzes de dentro não estão acesas, como a porta está descuidadamente aberta deixando o frio entrar, como alguém nunca olha para dentro, nem para as pessoas cá em baixo procurando uma cara conhecida, construiu-me uma solidão tão grande que me distraiu do acender das luzes. Olha, a árvore este ano está mesmo bonita, disse a minha filha. É verdade, disse-lhe eu. E a mulher aconchegou-se no xaile.

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