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Mussiro

por Cristina Nobre Soares, em 12.11.18

No meio das fotografias antigas, guardadas numa enorme capa de plástico azul em forma de envelope, havia um postal com duas mulheres com o rosto coberto com uma pasta seca e acinzentada. Perguntei, vezes sem conta, à minha mãe, o que tinham aquelas mulheres na cara. E vezes sem conta a minha mãe deu-me a mesma resposta, é um creme feito com uma raiz, que elas punham para ficarem com a pele lisinha. E eu ficava a olhar para aquele postal, com a mesma sofreguidão com que olhava para as fotografias de lá. Essas, decorei-as, de tantas horas que passei a olhá-las. Assim como decorei as datas escritas à mão na parte de trás, os sítios, os nomes de todos os que apareceriam mesmo dos desconhecidos e dos que já tinham morrido. As que eram do tempo de Lourenço Marques e as que eram do tempo da Beira. O que tanto procuras aí? Perguntava-me a minha mãe, sempre que me via de volta da capa azul. A mim, procurava-me a mim.

 

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