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Morrer com dignidade

por Cristina Nobre Soares, em 25.05.18

Acompanhei um pai enfermo e velho nas suas últimas idas ao hospital. Sei com que falta de esperança são tratados os velhos enfermos, por mais profissionalismo que haja da parte de quem os trata. O fim é óbvio para todos. Mesmo quando só muito tempo depois de este acontecer nos apercebemos que ele já havia sido anunciado pela forma como se trata um velho e enfermo.

Sempre fui e sou uma defensora do direito à eutanásia. Morrer com dignidade é um direito. Mesmo que esse direito não seja para nós e que nunca se aplique à nossa vida e aos nossos valores.

No entanto, morrer com dignidade não passa apenas pela eutanásia. Passa também e acima de tudo pela existência de cuidados paliativos dignos e por uma maior humanização do nosso Sistema Nacional de Saúde. A legalização da eutanásia tem de ser avaliada neste todo. Se o que está em causa é o direito à escolha, então devemos ter acesso todas as escolhas possíveis e estas têm de ser reais e não apenas teóricas. Não se deve (pois infelizmente pode) olhar para o problema apenas por um dos prismas. A cegueira começa sempre pelos ângulos mortos. E isto pode ser perigoso.

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9 comentários

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De Eduardo Artur Lopes Gonçalves a 26.05.2018 às 14:22

Quanto mais se pretende imputar uma falsa dignidade à morte, mais essa dignidade è subtraída à vida.
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De Anónimo a 26.05.2018 às 15:06

sou contra a eutanásia, mas o suicidio não me leva a condenar quem o escolhe.
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De Jorge a 26.05.2018 às 22:30

Com a liberalização da eutanásia, damos liberdade de escolha a quem está a sofrer, sem cura possível, de decidir quando e como acaba o sofrimento.

Mas com a atual ilegalidade da eutanásia, não há liberdadede escolha, e são os autoritários/conservadores da sociedade que se julgam com direito a condenar os outros ao sofrimento.

Para mim, que sou libertário (anti-conservador) e laico (anti-religioso) a escolha é facílima: quero que os outros tenham o direito a escolher, independentemente da minha opinião. Portanto, só a liberalização de TODAS as questões sociais faz sentido, eutanásia incluída.

Quanto à parte técnica da lei, isso sim é complexo, pode e deve ser debatido, de tal forma que ambos os lados desta "barricada" têm bons argumentos e sugestões. Em que condições, quando, que médicos, onde, etc.
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De Sarin a 26.05.2018 às 23:35

Subscrito.
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De Anónimo a 27.05.2018 às 00:01

Você é anárquico
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De Jorge a 28.05.2018 às 12:34

Não sou anarquista. Sou democrata, nomeadamente Social-Democrata Verde (à esquerda do PS, à direita do BE) na ideologia política, ou seja, sou Keynesiano nas questões ideológicas, e sou libertário nas questões sociais (maos que o PS, menos que o BE).

Ou seja, acredito na intervenção estatal na economia tal como no modelo Nórdico (Suécia, Dinamarca, Noruega, todos fora do Euro), pois tem provas mais que dadas de que é o modelo que melhor funciona.

Mas quero o Estado a 100%, ou quase, fora das decisões pessoais da vida de cada um.

Sou também laico e republicano, ou seja, sou o exemplo oposto ao CDS (conservador/autoritário, direita radical Neoliberal, religioso quase anti-laico, e em muitos casos monárquico).

As pessoas dessas tendências (CDS e ala radical do PSD), que cheiram ao mofo do tempo da "outra senhora", tendem a confundir tudo o que não concordam com Estalinismo (na economia) ou Anarquismo (na sociedade), mas isso deve-se exclusivamente à vossa falta de educação, cultura, e sentido democrático, tão mal exemplificados na sua resposta ou na mais recente mensagem fascistóide de Cavaco Silva a apelar ao boicote aos partidos que apoiam a liberdade de escolha na Eutanásia.
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De claudia Dias a 27.05.2018 às 14:25

muito bem.
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De Anónimo a 28.05.2018 às 12:18

Deixo ao destino o seu caminho....


.A.Gama Vieira
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De Francisco a 01.06.2018 às 23:08

Não era pela eutanásia ser aprovada que automaticamente todos os pacientes iriam escolher essa solução.

Mas sempre tinham a ESCOLHA para o fazer. Quem quisesse continuar a lutar contra as dificuldades que tem, pode ESCOLHER fazê-lo... Não vejo nada para contradizer uma coisa em que não prejudicava lado nenhum, já que é uma ESCOLHA a sua prática.

Disse ESCOLHA, vezes suficientes? Espero que sim.

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