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Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Acompanhei um pai enfermo e velho nas suas últimas idas ao hospital. Sei com que falta de esperança são tratados os velhos enfermos, por mais profissionalismo que haja da parte de quem os trata. O fim é óbvio para todos. Mesmo quando só muito tempo depois de este acontecer nos apercebemos que ele já havia sido anunciado pela forma como se trata um velho e enfermo.
Sempre fui e sou uma defensora do direito à eutanásia. Morrer com dignidade é um direito. Mesmo que esse direito não seja para nós e que nunca se aplique à nossa vida e aos nossos valores.
No entanto, morrer com dignidade não passa apenas pela eutanásia. Passa também e acima de tudo pela existência de cuidados paliativos dignos e por uma maior humanização do nosso Sistema Nacional de Saúde. A legalização da eutanásia tem de ser avaliada neste todo. Se o que está em causa é o direito à escolha, então devemos ter acesso todas as escolhas possíveis e estas têm de ser reais e não apenas teóricas. Não se deve (pois infelizmente pode) olhar para o problema apenas por um dos prismas. A cegueira começa sempre pelos ângulos mortos. E isto pode ser perigoso.
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