Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Miradouro

por Cristina Nobre Soares, em 08.09.18

No regresso a casa, lembrei-me quando, de manhã, começou a cair uma chuva morrinha. Abriguei-me debaixo de uma varanda. Entre, disse-me a velhota à porta de uma loja de arranjos, que à primeira vista me pareceu ser uma lavandaria, talvez pelas tábuas de passar a ferro. Entre, para não se molhar. Estendi a palma da mão, que voltou quase seca. Deixe estar, obrigada, já abrandou e segui caminho. Confundi a rua, há uns bons anos que não andava por ali e dei por mim a chegar ao Alto de Santo Amaro. Ali deve ser a vista mais bonita sobre o Tejo, comentei. Vamos lá? Perguntou-me ele. Deixa estar, respondi e, enquanto me acobardava no passo, lembrei-me do tempo em que fugia para lá. Há, naquele miradouro, alguém demasiado perdida, desfeita numa amargura que não se deve ter aos vinte, que ainda não consigo revisitar. Desculpei-me com a chuva, que entretanto já passara, passa sempre mesmo quando ainda nos parece que chove, e descemos a rua. No carro, tento afastar os pensamentos cinzentos e salva-me uma mancha de pinheiros mansos à saída da CRIL. Tão bonito, comento, e as curvas verdes sob a luz do fim de tarde, apaziguam-me. Entre, diz-me a velhota. Não, deixe estar, já passou.

Autoria e outros dados (tags, etc)



Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D

GA



google-site-verification: googledeb34756365df053.html