Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]
Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Eu teria uns dezasseis anos e ele pouco mais. Eu, sentada numa mesa, num réveillon de um qualquer hotel, daqueles com cocktail de camarão e espumante meio seco. Sentada, com a cabeça enterrada nas mãos e no enfado, enquanto homens de colarinho aberto e mulheres de maquilhagem transpirada, dançavam em comboio a “ cachaça não é água”. Ele debruçou-se. Tinha olhos verdes . Perguntou-me se eu queria dançar. Disse que sim. O comboio passou e levou-nos. Lembro-me de achar que ele cheirava bem e que a noite afinal não estava a correr mal. A música mudou e o comboio desfez-se. Não sei dançar a pares, disse-lhe . Ele ignorou-me e tentou girar-me numa pirueta, que correu mal. Não sei dançar assim. Ele semicerrou os olhos , desceu os tons graves da voz e o braço nas minhas costas. É simples, troces o braço, assim. Como? Assim, troces. E ele, encolheu em altura uns vinte centímetros e o verde dos olhos amarelou-se. Torces, disse-lhe ao ouvido. Hum? É torces que se diz. Ele deu dois passos atrás com algum horror no olhar. Logo que vi que eras uma dessas. O dedo a apontar com desprezo. Dessas, betinhas.
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.