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Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Maria Emília casou-se com vinte cinco anos, quarenta sete ganchos de noiva no cabelo e vinte e duas flores de renda cosidas na saia de organza. O cabelo espesso, que todos os dias era domado a ferro de engomar, fora meticulosamente preso atrás da nuca e escondido debaixo de um chapéu de abas largas. Chama-se capeline. A mãe abanar a cabeça, com a agulha de crochet entre os dedos retorcidos, uma noiva de chapéu na cabeça, onde é que já se viu.Chama-se capeline, mãe, e ela a abanar a cabeça de desgosto, vais ser primeira noiva sem véu. Maria Emília casou-se em Setembro. Não em Maio, o mês das noivas e de Nossa Senhora, nem em Agosto, mas em Setembro. Assim o teu irmão e os teus primos direitos que estão na França não podem vir, lamentou a mãe enquanto cosia as flores na saia do vestido. Que não fazia mal, dissera Maria Emília, o irmão não se zangava e até lhe dera três contos para ajudar a montar a casa. Maria Emília casou-se no dia dezanove de Setembro, de mil novecentos e setenta, com vinte cinco anos, quarenta e sete ganchos, três sonhos e nenhum medo: queria um marido bonito, fazer férias no Algarve e viver numa cidade grande. Realizou-os aos quarenta e quatro anos, quando deixou o marido e as filhas para ir viver com o amante em Lisboa.
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