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Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Na noite das eleições presidenciais de 1991, ligaram lá para casa. Quem atendeu foi o meu pai. Agradeceu qualquer coisa, atenciosamente. Depois tapou o bocal e chamou a minha mãe. É para ti. E entrou na sala a rir-se. Quem é? Perguntei-lhe. Alguém que quer dar os parabéns à tua mãe. Diz que ficou muito contente por eu ter ganho as eleições outra vez, mas de quem gosta mesmo é a da minha esposa. A minha mãe desligou o telefone e disse, meia zangada por nos estarmos a rir que nem uns desalmados, ao menos podias ter dito à criatura que eu não sou doutora.
Ontem o país perdeu uma mulher da liberdade, da democracia. Uma grande senhora, como lhe chamava a minha mãe.
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