Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]
Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Vais mesmo levar a planta? Pergunta-me. Eu digo que sim. Mas sei porque é que ele me pergunta isso. Morrem-me as plantas todas, às minhas mãos. Depressa perdem o viço, murcham, definham. Porque me esqueço de regá-las, ou as afogo em água e quanto à luz que precisam, é um mistério. Dizem-me que não tenho mãos para plantas. Como não tenho para qualquer tipo de lavor. Lembro-me da minha mãe tentar que eu aprendesse a tricotar. As malhas saiam-me todas diferentes, criaturas insubordinadas com vida própria. E o tempo de uma carreira de malha era de um tédio interminável. A minha mãe suspirava, ai rapariga que não tens mesmo mãos para isso. Deve ser isso que acontece com as plantas. Não tenho mãos. Dizem que é uma coisa que nasce com as pessoas. E como invejo essas pessoas capazes criar verdadeiros jardins botânicos em vinte metros quadrados de sala. Gostava tanto. Volto a pôr a planta no expositor e suspiro. Raios, às vezes penso que me bastaria ter apenas olhos. O resto do meu corpo tem dias que me parece supérfluo.
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.