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Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Dou uma vista de olhos à matéria que a minha filha precisa de estudar para o teste de físico-química. Está a dar o som e o fenómeno ondulatório. Diz-me que é uma grande seca. Não é nada, digo-lhe eu. E conto-lhe a história da recuperação da gravação de um concerto de Brahms, cujo único vinil existente estava danificado. E que essa recuperação só foi possível graças a esta parte da física. Caso contrário teria ficado irremediavelmente perdido e ninguém o ouviria. A minha filha pergunta-me como sei esta história e respondo-lhe que a ouvi numa apresentação de trabalho do mestrado. Todos nós tínhamos levado apresentações muito armadas aos cágados, mas sem interessezinho nenhum. Então, foi a vez de um rapaz, que até aí tinha sido transparente, que levou um vinil, um gira-discos, daqueles portáteis que se viam nos anos 80 e um pedaço de giz. Pôs o disco a tocar e começou a apresentação assim: "Se não fosse a física, não estaríamos a ouvir isto." Depois, enquanto contava a história da recuperação desenhou um gráfico e escreveu umas equações no quadro. O arranhar do giz fez-me pele de galinha. Ou foi isso ou a inveja. Tanta inveja que eu tive dele.
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