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Histórias

por Cristina Nobre Soares, em 10.05.18

Enquanto passo a ferro uma blusa, que convém ficar ajeitada para amanhã, lembro-me da história que me contaram hoje, sobre alguém que fazia questão de deixar a mesa de Natal posta, durante a madrugada, para que assim quem já não estivesse entre eles, quem já tivesse morrido, pudesse cear também. Fico sempre estupidamente feliz quando encontro uma história destas, o desassombro do impossível comove-me. Pensar que os espíritos se podem consolar com bolo-rei e filhoses, sentados à mesa que também já foi deles, vale mais que mil páginas de literatura, cheia de genialidade que se esganiça em busca da glória imortal da frase perfeita. Pedi que me repetisse a história, como fazia com a minha mãe, que a repetia vezes sem conta até eu senti-la a ganhar corpo por detrás dos meus olhos. Reparo que tenho o ferro quente demais para o tecido fino da blusa, ainda a queimo. Lá fora, o sino tocou nove vezes.

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2 comentários

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De Anita a 10.05.2018 às 14:54

Gosto sempre muito das tuas histórias. Tão simples e tão belas.

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