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Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Ia quase todas as sextas feiras à tarde para casa dela. Um quinto frente com vista para uma praceta, onde brincávamos como os outros miúdos aos polícias e ladrões e ao mata, nos dias em que fazia sol. Nos outros, ficávamos em casa dela a brincar com as Tuchas. A mãe dela usava por casa uns calções curtos, que talvez já lhe tivessem servido melhor. Lembro-me dela sentada num cadeirão da sala, a pintar as unhas dos pés de vermelho vivo. Pincel do verniz numa mão, cigarro na outra e o single do Demis Roussos num gira-discos portátil, em cima de uma colecção imensa de Holas compradas em Badajoz. Levantou a cabeça, olhou para nós e perguntou: Querem lanchar, não é? Esmagou a beata no cinzeiro e entalou um algodão no mindinho do pé. Deixem lá acabar a música, que eu já vos faço o pão com Tulicreme.
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