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Fotografar o agora

por Cristina Nobre Soares, em 23.11.18

Hoje, numa conversa com amigo, comentámos as fotografias “tipo Instagram”, que parecem ser tiradas todas pela mesma pessoa: as poses iguais, as meias caras, o rosto voltado para o horizonte, os pezinhos, tanto os cruzados a assinalar ócio, como os com um toque de peregrinação (a Santiago de Compostela, porque no Instagram não se vai a Fátima), os copos de gin, com as bagas de zimbro ou a casca de limão a boiar, as garrafas de cerveja artesanal, os óculos de massa (nem sempre preta) em cima do livro, e as viagens, as viagens. E lembrei-me das fotos dos anos 70, dos meus pais, com um rebordo branco, umas cores esbatidas e alaranjadas, as poses estudadas, todos a sorrirem de frente. Ou as que se tiravam no fotógrafo a fingir que telefonavam (quando telefonar ainda era uma coisa chique). Ou aquelas em que deitavam bebés nus, só com um fio de ouro ou pulseirinha, numa espécie de tapete felpudo. Ou as fotografias de grupo dos casamentos, dos noivos a cortarem o bolo ou levarem uma beijoca dos pais. Ou as fotografias dos avós, com o avô refastelado no sofá e a avó em pé. Enfim, há fotos que não precisam de data atrás, as roupas, as poses, os cenários, fazem esse trabalho. Uma vez ouvi que só fotografamos aquilo que temos medo de perder. E eu continuo a achar que é o tempo, o agora. Talvez por isso o Instagram tenha tanto sucesso. Sem dúvida que é um testemunho deste nosso agora.

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6 comentários

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De Nuno a 23.11.2018 às 21:57

Nunca tinha pensado nisso dessa forma mas visto que a fotografia é a gravação de um momento no momento chamado para sempre para a posteridade e de facto verdade talvez uma rede social baseada em mome tos gravados possa realmente ser a chave do seu próprio sucesso
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De gaivotazul a 24.11.2018 às 00:11

"(...) só fotografamos aquilo que temos medo de perder."

Quanta verdade encerrada em tão pequena afirmação
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De Pipoca Mafalda a 03.12.2018 às 09:41

«só fotografamos aquilo que temos medo de perder.»

Bem verdade!


Gosto de fotografar, não para perder os momentos, mas para os guardar como uma memória, para mais tarde saber as datas importantes da minha vida, e um dia quando precisar de escrever algo que envolva uma memória sempre terei as datas por perto para saber tudo.

Beijinho
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De Raquel Dias a 03.12.2018 às 10:16

Nunca tinha pensado nisso, mas concordo muito
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De Maribel Maia a 03.12.2018 às 10:39

Tudo isto demonstra o quanto rápido se dá a evolução...ontem revelávamos fotografias...hoje publicamos fotos...
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De Mac Menezes a 04.12.2018 às 00:26

Esse post nos faz pensar sobre como foi banalizado a fotografia. Vejo muitos jovens fotografando qualquer coisa e sentindo-se insatisfeito com a quantidade de likes que recebem. Esses jovens acabam desenvolvendo uma dependência sobre receber status que acabam se esqueçendo de registrar os momentos mais importantes da vida como faziam antigamente.

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