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Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Diz-me que não tem pachorra para a invasão do Natal nórdico e anglo-saxónico. Que não sabemos preservar as nossas tradições, e que se não nos pomos a pau, qualquer dia somos engolidos pelo que vem de fora. Diz-me que na casa dos pais, onde toda a família se junta, na ceia de Natal não podem faltar as filhoses tendidas no joelho e os formigos da Conceição. A Conceição está connosco, na nossa família, já há mais de sessenta anos, explica-me. Foi trabalhar para casa da minha avó com catorze anos. O meu pai também começou a trabalhar com catorze anos, comento. Ela olha-me e não diz nada. E subitamente somos dois países. Talvez por isso voltemos à conversa das tradições, e eu falo do arroz doce da minha mãe. As tradições por vezes são a uma forma de recordarmos apenas aquilo que nos convém. Ali, à mesa daquele café da moda, ninguém quis lembrar o país pobre por detrás dos formigos da Conceição. O país que só calçava sapatos nos dias festa. Que dedicava uma vida a servir a família dos outros. Um país onde muitos pais, como o meu, lutaram para que fosse diferente para os filhos. Felizmente que foi.
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