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Em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

Em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

Formigos

Cristina Nobre Soares, 08.12.15

Diz-me que não tem pachorra para a invasão do Natal nórdico e anglo-saxónico. Que não sabemos preservar as nossas tradições, e que se não nos pomos a pau, qualquer dia somos engolidos pelo que vem de fora. Diz-me que na casa dos pais, onde toda a família se junta, na ceia de Natal não podem faltar as filhoses tendidas no joelho e os formigos da Conceição. A Conceição está connosco, na nossa família, já há mais de sessenta anos, explica-me. Foi trabalhar para casa da minha avó com catorze anos. O meu pai também começou a trabalhar com catorze anos, comento. Ela olha-me e não diz nada. E subitamente somos dois países. Talvez por isso voltemos à conversa das tradições, e eu falo do arroz doce da minha mãe. As tradições por vezes são a uma forma de recordarmos apenas aquilo que nos convém. Ali, à mesa daquele café da moda, ninguém quis lembrar o país pobre por detrás dos formigos da Conceição. O país que só calçava sapatos nos dias festa. Que dedicava uma vida a servir a família dos outros. Um país onde muitos pais, como o meu, lutaram para que fosse diferente para os filhos. Felizmente que foi.

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