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Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Uma vez, um tipo, disse-me que "só não me atiro a ti porque tens um ar muito português e banal." Enfim, depois do que eu lhe respondi dificilmente se terá voltado a lembrar de mim como banal.
O problema destas coisas é serem verbalizadas (e acharmos que a nossa opinião, dirigida directamente à vida de terceiros, é fundamental para a existência da humanidade no geral), pois, ao fazê-lo, mostram falta de inteligência e empatia pelos outros. E duvido, muito sinceramente, que, na maior parte dos casos, seja sequer uma agenda machista, pois implicaria alguma complexidade de raciocínio. E gente burra é o que não falta.
Provavelmente todos nós já nos desiludimos com um flirt ou paixoneta por motivos fúteis, como mau português, comer de boca aberta ou mãos suadas. Faz parte. Ninguém explica isto. E não há inocentes nisto. Uns não gostam de gente burra (como eu), outros não gostam de gordos, de magros, de gente com dentes grandes, dentes de rato, cabeludos ou carecas. Cada qual gosta do que gosta. A diferença é que se calhar, assaltados por algum bom senso e empatia, em vez de sermos "muito frontais e iguais a nós mesmos", evitámos melindrar alguém e dissemos: "o problema não és tu, sou eu." E é verdade. Nestes casos, o problema somos nós que, mesmo sendo boas pessoas na maior parte dos dias, há outros em que somos umas reais e grandes bestas, que acham os outros banais ou embirram com os erros de português alheios. Convém é ficar calado para que haja pouca gente a dar por isso.
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