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Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Olho-lhe as mãos, engelhadas, cheias de manchas, agarrando-se em esforço ao varão de metal. Na outra, o saco de plástico pesado, com as folhas de uma couve-galega a saírem, maceradas, por uma das asas. O autocarro arranca com um solavanco. Ela quase que se desequilibra. Uma mulher nova oferece-lhe o lugar. Ela olha-a com a mesma firmeza com que agarra o corrimão, agradece, e diz que não é preciso. Eu cá me aguento. Outro solavanco, uma das folhas parte-se, um homem faz um gesto como que a querer ampará-la. Ela ri-se, guarde isso para as raparigas novas, e endireita de novo as pernas inchadas. E antes do autocarro chegar à Estrela, penso que ainda bem que as artroses e a vida, não são capazes de nos retorcer a teimosia.
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