Está sol
O café da rua principal está a vender em “take away”. A dona, de viseira, atende num balcão improvisado à entrada. As pessoas, umas com máscara, outras sem, fazem uma bicha mais ou menos disciplinada no passeio. Volta e meia, um carro pára, abre-se o vidro e lá de dentro cumprimentam alguém que esteja na bicha. Falam uns com os outros com aquele entusiasmo que pomos quando não vemos alguém há muito tempo.
Bebemos o café, em copinhos de papel, encostados ao carro. No prédio em frente um homem observa-nos por detrás do vidro da janela. Partilhamos o pacote de açúcar. Comento que o homem da janela tem a barriga à mostra. Rimos. Está sol. Apesar de ter posto açúcar a mais e já estar morno, o café sabe-me pela vida.