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Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Há qualquer coisa nos dias de Outono que cheira a erva doce. E eu lembro-me de umas broas que uma tia minha fazia. São as broas dos santos, dizia. Eu sentada ao canto mesa de tampo de fórmica, a olhar o lá fora. Um lá fora de chão vermelho e verdes senescentes. Tão diferente dos prédios e das tílias raquíticas da minha rua. Não comes a broa? Ela a perguntar-me, enquanto eu depenicava as nozes. E eu, de cara enterrada nas mãos, com os olhos para além dos vidros, a pervinca a tapar um dos quadrados da janela, a humidade a desenhar-se nos cantos, o cheiro quente a bolos, sem coragem de lhe dizer que o sabor da erva doce me agoniava. Ainda hoje agonia.
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