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Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Ontem, lembrei-me que há mais de vinte anos a Sara ligou-me a contar que tinhas tido um acidente de carro no Dafundo. Contra um eléctrico. Lembro-me do silêncio que ela fez antes de me dizer: já não havia nada a fazer quando chegou ao hospital. Evitamos conjugar o verbo morrer para não morrermos também. Eu continuei em silêncio. Nunca sabemos o que dizer quando nos contam que alguém morreu. Porque tudo soa a supérfluo, a postiço. Também nunca sabemos o que dizer quando queremos pedir uma desculpa tardia, porque as desculpas pedem-se a quente. As tardias, são cobardes, requentadas, sem sentido, e enquanto ela falava do outro lado do telefone, eu lembrar-me de ti, a perguntares-me depois do beijo desajeitado, que árvore é esta? Não sei, disse-te eu, também não interessa, nunca nada interessa porque achamos que não vamos precisar de lembrar, a Sara a falar do outro lado e eu calada, até que comentou, então, não dizes nada? E eu respondi com um fio de voz, lembrei-me que nunca lhe pedi desculpa.
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