Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

Em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

Entre o Marquês e Entrecampos

Cristina Nobre Soares, 12.05.16

Há uma mulher que fala ao telefone com um auricular. Parece que fala sozinha. Não te preocupes, é normal, diz. Olha fixamente para o fundo da carruagem como se a outra pessoa estivesse lá. É normal, repete vezes sem conta, marcando uma espécie de compasso que se sobrepõe ao do metro. O homem à minha frente olha o próprio reflexo na janela. Ou talvez não olhe nada. Há duas raparigas que enviam mensagens no telemóvel e há um homem, em pé, a ler as Bucólicas de Virgílio. Os meus olhos estranham-nas, demoram-se na capa e a mulher do auricular repete mais uma vez, é normal. Há também uma criança que choraminga e a mãe, com ar cansado, pede-lhe, cala-te um bocadinho. É normal. Há um casal de namorados que vêm abraçados desde as Picoas, parecem um único corpo. E eu penso, que são sete horas e vinte de dois minutos e neste preciso instante, provavelmente, regressamos todos a casa. É normal.

1 comentário

Comentar post