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Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Acordei a meio da noite por causa de uma insónia, raramente as tenho. Lá fora, havia uma escuridão completa por ter faltado a luz na vila. Não se via nada, até por ser lua nova. Lembrei-me que ainda há dias escrevi um texto sobre isto, sobre confiar no que não se vê e, ao lembrar-me, os cães uivaram lá ao fundo ( ou talvez tivessem uivado antes ?). Demorei para voltar a adormecer, assim como demorei o dia inteiro para acordar. Hoje, foi um dia estranho, daquela estranheza que arrasta nas horas e as faz parecer lentas. A dormência do tempo foi decerto uma ilusão criada por um Deus qualquer que se terá compadecido da nossa mortalidade.
A meio da tarde, comentei com o Mário, a propósito da necessidade de deixar o passado para trás, que seria incapaz de o olhar como terra queimada. Respondeu-me que bastava deixá-la ao abandono. Penso nisto agora, sem chegar a conclusão alguma. Nada me ocorre. Talvez por ter sido um dia estranho. Talvez por não ter dormido. Talvez por ter medo de olhar por cima do ombro. Em sal te tornarás.
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