Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]
Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Enquanto preparo os exercícios para o curso de comunicação de ciência revejo tudo aquilo que fui aprendendo neste meu caminho improvável. Na secretária empilham-se os livros que acumulei nas duas vidas e as canecas de chá que fui fazendo ao longo do dia para enganar o nervoso miudinho. Recordo conceitos que nunca mais usei e pelo meio lembro-me das olaias em flor, dos dois jacarandás, dos lódãos bastardos da Luís de Camões, da ponte quase por cima de nós, da vinha no Outono, da Gingko biloba raquítica (deve estar maior), à porta do Departamento Florestal, da Terra Grande, do anfiteatro de pedra, do Paulo, atrás do balcão, e que me reconheceu à primeira, do professor Campos (como eu gostaria de poder partilhar isto consigo, professor) , do professor Barreto que só consegui compreender mais tarde, quando vi o “Uma mente brilhante”, do professor Fabião, que tinha sempre uma coisa simpática a dizer, do cheiro a fim de festa no lagar, da associação de estudantes, do fechar a edição da Campus, quem é que escreve o editorial e de mim, no miradouro da Santo Amaro, a procurar um sentido que só encontrei vinte anos e muitos dias depois.
A minha filha passa com cara de caso, pergunto-lhe o que tem, diz que ainda tem de estudar para o teste. Deixa lá, eu também tenho de trabalhar até tarde, digo-lhe. Mas tu adoras o que fazes, mãe, responde-me. E eu sorrio e corro para apanhar o 18.
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.