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Em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

Em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

É estranho reencontrar um amigo que não vemos há muito tempo

Cristina Nobre Soares, 02.01.18

É estranho reencontrar um amigo que não vemos há muito tempo. Primeiro, há aquela alegria: Há tanto tempo! Os abraços, o sorriso rasgado. Há tanto tempo! O que é feito de ti? Olha, casei-me, divorciei-me, estou solteiro (por alguma razão as pessoas acham o estado civil uma prioridade a ser relatada). Tenho não-sei-quantos-filhos e desfiam-se os nomes e as idades da prole, onde vivemos, o que fazemos, o resumo possível no tempo que demora a cruzar uma esquina. Depois deste interlúdio, lembramo-nos. Do Zé, da Ana, do Nuno. O que é feito deles? Não sei, nunca mais os vi. O Nuno, uma vez encontrei no IKEA, tem um miúdo da idade da minha. Eish, o Nuno, lembras-te daquela vez…? E lembramo-nos mais um bocadinho. Às vezes muito. E rimo-nos de coisas que mais ninguém percebe. Até que se gastam as memórias e ninguém tem mais nada para se lembrar. Nesse momento percebemos que afinal já não nos reconhecemos. Que fomos amigos, não somos. E é tramado. O que é que se diz a alguém que há muito tempo foi nosso amigo e que agora é um estranho? Nada. Talvez possamos trocar algumas trivialidades para nos salvar do desconforto, enquanto reparamos que o outro está muito diferente, mais velho, mais gordo, mais magro, careca. Até que atalhamos com aquela de um dia destes temos de pôr a conversa em dia, vamos beber um café, um copo. Pois temos. A ver se combinamos um dia destes. Mentira. Não vamos combinar nada. Gostei de te ver! E seguimos cada um o seu caminho, com o tempo a doer-nos um bocadinho numa certeza qualquer.

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